Salad in a jar

salad_jarCerteza que vocês já viram ou ouviram falar desse jeito diferente de fazer e guardar saladas, não??

Faz algum tempo que eu penso em experimentar e agora que estou trabalhando em um lugar com bem poucas opções para almoço, trazer a comida é uma excelente opção.

Pesquisei em alguns sites e basicamente se uma ordem for seguida na montagem, os ingredientes podem variar muito.

Fiz na segunda-feira dois potes. Um comi na terça e o outro é esse sobrevivente aí da foto. Seria meu almoço hoje, mas decidi deixá-lo na geladeira desse jeito até sexta, pra ver como fica a aparência e gosto depois desse tempo. Por tudo que li, as chances de ficar 100% são grandes.

Well, depois eu atualizo o post dizendo se foi ou não, mas se já quiserem experimentar, a montagem básica é essa:

- Molho no fundo

- Vegetais duros como cenoura ou pepino

- Vegetais pré-cozidos (batatas, brócolis, vagem, repolho, etc) e frutas

- Queijos e proteínas

- Cereais (grãos e sementes)

e por último antes de fechar o pote:

- Folhas rasgadas à mão.

Não precisa dizer que o pote deve estar bem limpo e sem resíduo de cheiros.

Uma dica interessante é que se for fazer potes para a semana inteira, varie os ingredientes para não enjoar da saladinha.

Um pote como este da foto (que é de pepino em conserva) rendeu um prato grande muito bem servido.

É uma boa ideia, para dias muito atarefados, para piqueniques, para passeios, para dietas. Vale experimentar.

A minha saladinha-teste tá rycca  e contou com os seguintes ingredientes: molho honey mustard, mini cenouras, pepino japonês em tiras, abobrinha em tiras, tangerina, ameixa preta, uva passa, damasco, amendoim, linhaça dourada, tomate cereja, uva, queijo minas frescal e mix de folhas.

Comida boa custa caro?

Essa pergunta sempre me acompanhou. Faz parte do meu trabalho na área de comunicação avaliar o valor além do preço.

Estudando um pouco a gastronomia comecei a perceber o valor na boa comida também. E como em todos os setores de produção, repito o mantra: Não existe milagre. Coisas boas custam caro sim.

Não quero dizer que caro deva ser extorsão. Acho que os valores devem ser justos e pagar o perfeccionismo do chef na escolha dos ingredientes e fornecedores, o esmero no pré preparo, o cuidado no acondicionamento, o capricho do preparo e o detalhe da apresentação. Devem pagar também a decoração, o ambiente climatizado, a educação e treinamento dos atendentes, a limpeza da mesa, a música ambiente. Tudo.

mortadela copyO que se paga, pelo amor de deus, não é a comida. É a experiência. Se a comida for maravilhosa e barata, desconfie. Você sabe quanto custam os ingredientes, não? Pois deveria. Pelo menos ter alguma noção. Se o valor não paga nem os ingredientes comprados em um mercado razoável, como é possível que este estabelecimento esteja tendo algum lucro? Sim, lucro. Aquela parte que sobra e serve para remunerar os empreendedores e melhorar o serviço. Sem lucro, é necessário cortar na carne (sem trocadilho) para manter um mínimo de qualidade. Ficam as perguntas, quanto esse estabelecimento está pagando de salário para seus colaboradores? De quem está comprando os ingredientes? Como está a rotina de limpeza e higienização de tudo? Os impostos estão sendo pagos? E a mais terrível: O que, realmente, está sendo servido?

Se você é do tipo que pensa que bicho maior come bicho menor. Siga em frente. Se pensa que é o que come, já não deve ser habituée dos tais buffets populares.

Mais uma observação nessa fórmula: o paladar menos exigente normalmente prefere comida com mais sabor. Leia-se: mais gordura e mais sal. Restaurantes que servem comida muito barata normalmente abusam de manteiga (será que usam?), óleo em toneladas e muito sal. Fora reforçadores de sabor, amaciantes de carne, corantes, e outros truques. Uma bomba. Daí vem a conta que tem que ser feita. A comida barata precisa ser boa pra valer a pena. Não só boa de sabor, mas nutricionalmente, senão a economia que se está fazendo é totalmente errada. O dinheiro que supostamente deveria ir para uma comida melhor vai direto pra farmácia, é consumido em cápsulas de antigripais pela imunidade baixa, em remédio para dor de cabeça, dor de estômago, azia. Isso quando não acaba impactando na auto estima e nos quilos a mais.

Sim, ser magro custa bem mais caro. Comer decentemente consome boa parte do orçamento.

Gosto de comida boa e boas experiências. Que podem acontecer em salões com 2 mesas, em grandes restaurantes comerciais ou em botecos. Eu fico indignada com comida feita sem amor, pra mim essa comida nunca é barata o suficiente. Comida merece respeito, principalmente dos cozinheiros.

Eu sei que para muitos esse é um post óbvio, mas precisava desabafar.

Pra terminar, fico com a Roberta Sudbrack e seu manifesto do cozinheiro:

Ser cozinheiro é enxergar a vida – a vida inteira – com os olhos curiosos da descoberta. Tudo é novo? Espera aí, mas isso eu já vi em algum lugar! Sim e não. Viu, mas não viu. E se viu, ora, que diferença faz? Tudo pode ser novo de novo para o cozinheiro. Sobretudo o velho! E como pode ser surpreendente quando observado com olhos curiosos. Tudo é motivo para ver de novo. Tudo é motivo para acreditar que qualquer coisa é possível. Qualquer espessura é alcançável. Qualquer ingrediente é maleável. Qualquer sabor é conhecido. Ou não? E se não for, melhor ainda. Mãos à obra e mente aberta, você é cozinheiro!
A nossa vida começa a ser reescrita todos os dias junto com o mise en place. É sempre um novo capítulo e um parágrafo mais interessante do que o anterior. Outra história a ser vivida, dividida e sofrida… Como sofremos. Sofremos fisicamente e essa parte não varia. No pacote estão incluídas as bolachinhas inteiras e as que perderam o recheio também. É pegar ou largar! Sofremos emocionalmente. Profundamente! A entrega não é uma escolha, é um fundamento. Ser cozinheiro é entregar a vida diariamente à missão de servir e sonhar.
Sonhamos com sorrisos, gargalhadas, tilintares de copos e na melhor das hipóteses uma lágrima. De alegria. De recordação. Uma lembrança. Um sorriso calado. Servimos diariamente com a convicção de quem decidiu que assim seria. Entramos pela porta dos fundos e usamos o banheiro da área de serviço. Estamos a serviço, ora! Somos felizes, muito felizes. Não conheço um cozinheiro triste. Conheço pessoas que imaginam ser cozinheiro e são tristes. Claramente porque não são.
Servir, essa não é uma tarefa para qualquer um. Requer delicadeza, humildade, destreza. Estamos sempre um passo atrás dos ingredientes, somos apenas os instrumentos encarregados da sua expressão momentânea. Estamos um passo atrás de você. Fazemos reverência a sua presença, vibramos com ela, sonhamos com ela diariamente. Vivemos na expectativa de acolher. Servimos sonhos na expectativa de colher sorrisos.
E quando uma noite acaba, quando o corpo se arrasta pela cozinha, aqueles mesmos olhos curiosos agora estão baixos e os batimentos cardíacos começam a voltar a um nível com o qual não sabemos conviver. Começamos imediatamente a pensar no mise en place de amanhã! Ele é a certeza de que a nossa história é como a dos balões: tem sempre um lugar de partida, de chegada jamais!
Em tempo: a imagem do sanduíche é da Sanduicheria da Ilha, premiada diversas vezes pela Veja Comer&Beber SC, e recomendo fortemente pela excelente relação custo x benefício de tudo que é servido. Agora, inclusive, com alguns lanches gourmet no cardápio.